A alma do negócio não é a propaganda. A alma do negócio é o próprio negócio.
As agências deverão evoluir para o papel de ajudar as empresas a ouvir e entender o que os prosumidores* estão dizendo a respeito de seus produtos e serviços.
Por Pedro Cordier
Á medida que o acesso à informação se propaga e à medida que o consumidor de outrora começa a dar lugar ao prosumidor, esse consumidor pró-ativo, produtor de conteúdo, conectado e bem informado, a propaganda que vemos hoje torna-se cada dia menos relevante.
O atendimento, a preocupação com os detalhes, um produto bem acabado, um serviço bem feito… nem toda propaganda do mundo compensa um produto ruim!
O dono de loja, o empresário, o cliente da agência de propaganda, todos devem investir, cada centavo, em qualidade e em relacionamento com o cliente!
Segundo Jeff Jarvis, no livro “O que a Google Faria”, “a propaganda deve nos informar sobre um produto ou seu preço, para que possamos economizar esforço, tempo e dinheiro na busca por ele. Se a meta dos consumidores é reduzir os custos de transação – o esforço de encontrar o produto certo, pelo preço certo – a própria internet não substitui a propaganda? Com freqüência, sim!”
E as agências de propaganda tradicionais? Vão acabar? Se adaptar? Se transformar? O intermediário, que cria dificuldade para vender facilidade, está com os dias contados na era da conectividade! As agências de propaganda precisam, urgentemente, aprender, desaprender e reaprender.
“Toda novidade passa pelo processo de aprendizado. Precisamos estar atentos às questões como inovação, empreendedorismo, criação e adaptabilidade, pois somente acompanhar as mudanças já não basta. Temos que tomar consciência de que somos parte integrante dessas mudanças”.Pedro Cordier, especialista em comunicação, criatividade e conectividade.
Os anunciantes estão começando a aprender que o seu grande diferencial não está no slogan criativo, mas na transparência. É uma questão de relacionamento, não de mensagem!
“A mensagem fundamental do marketing deve mudar de queremos seu dinheiro para compartilhamos seus interesses”.Christopher Locke, no livro Gonzo Marketing.
O papel das agências digitais será o de ajudar as empresas a ouvir o que os prosumidores estão dizendo a respeito de seus produtos e serviços. Exemplos:
• Fazendo análise de dados, mensurando e criando redes calcadas na transparência.
• Ajudar no lançamento de produtos, de preferência, com a utilização de crowdsourcing, o que contribui para a criação de relacionamentos verdadeiros.
• Auxiliar no entendimento e utilização das plataformas sociais;
• Produzir informação e conteúdo para as diversas telas.
• Desenvolver aplicativos úteis, que realmente possam facilitar a vida do usuário…
“Mercados são conversas.” The Cluetrain Manifesto, trabalho sobre a era da internet, em 2000.
Se a mudança, em si, para muitas pessoas, já é um processo doloroso, imagine a total perda do controle?
No final de 2010, em conversa com um conhecido dono de agência da capital baiana sobre o futuro das agências de propaganda, disse a ele que a agência de propaganda não estava mais no controle. Disse ainda que, na verdade, sequer o cliente dele (o anunciante) estava no controle… quem estava assumindo o controle de tudo era o prosumidor, que, num piscar de olhos, poderia se reunir e manifestar-se contra a favor dessa ou daquela organização, causando um impacto jamais imaginado em outros tempos menos conectados.
Para minha surpresa, a sua resposta foi muito mais consciente do que eu imaginava. Disse ele: “Se eu não procurar observar, entender e me tornar parte dessa mudança, isso aqui tudo (apontando para a bonita e confortável sala de reunião em que estávamos e para os demais departamentos, porta afora…) vai, simplesmente, desaparecer”.
Fonte: Webinsider
*Prosumidores: Do inglês prosumer – fusão de producer (produtor) e consumer (consumidor).
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